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Desempenho frágil da indústria fortalece visão de PIB menor

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta daqui a pouco, às 9 horas, a produção industrial de agosto e o resultado tende a fazer contraponto à sinalização dada pelo Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central do Brasil (BCB) referente ao terceiro trimestre. Enquanto o BC do B trouxe projeções de inflação mais salgadas para 2014 – cenário que o mercado vê corrigido com mais taxa de juro –, o desempenho da indústria pode ser decepcionante mais uma vez. Mas desta vez fortalecendo outra projeção apresentada pelo Relatório do BC: o recuo da taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,7% para 2,5% neste ano. Essa combinação de indicadores e estimativas de indicadores, na prática é mais do mesmo desempenho da economia que o governo Dilma Rousseff vem apresentando – uma mescla de inflação resistente e crescimento modesto e que a própria presidente sabe que é insuficiente para atender às necessidades da população brasileira.

Após o tombo de 2% registrado em julho, a média de 18 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data aponta que a produção industrial ficou praticamente estagnada em agosto, com queda de 0,1% na passagem mensal, feito o ajuste sazonal. As estimativas vão de recuo de 0,5% a avanço de 0,5%. E nem mesmo os economistas que contemplam resultado positivo  demonstram entusiasmo, relata a jornalista Arícia Martins, do Valor, a quem eles relataram que a freada brusca da produção observada em julho -- na abertura do trimestre -- não deve ser recuperada.

Guilherme Maia, da Votorantim Corretora; Fernanda Guardado, do banco Brasil Plural; e Leandro Padulla, da MCM Consultores, apontaram uma circunstância particular. A evolução de grande parte dos indicadores antecedentes da atividade industrial foi positiva entre julho e agosto, sem garantir, contudo, o desempenho favorável ou o fortalecimento da produção industrial. E isso acontece porque esses indicadores partiram de um nível muito baixo no mês anterior. Também pesa contra um resultado animador o elevado patamar dos estoques e maior pessimismo ou menor confiança dos empresários industriais.

Em setembro o ritmo pode ter melhorado, mas nada que inspire entusiasmo. O Índice Gerente de Compras da indústria brasileira, calculado pelo HSBC, teve leve melhora mas apresentou uma dinâmica que ainda aponta retração, embora em magnitude mais branda se comparada aos dois meses anteriores. Essa avaliação foi feita em relatório por Alberto Ramos, diretor de pesquisas para América Latina do banco Goldman Sachs. André Loes, economista-chefe do HSBC no Brasil, ao marcar 49,9 pontos, o índice mostra situação praticamente estável do setor industrial em setembro. No trimestre, no entanto, a média do indicador foi a mais baixa desde o terceiro trimestre de 2012. Esse mesmo indicador aponta, porém, para aceleração de custos de insumos industriais por impacto do câmbio.

Fonte: Valor Econômico



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