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Dólar alcança R$ 2,28, pico em três anos

Na véspera da reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o movimento de aversão ao risco predominou nos mercados, levando o dólar a renovar a máxima no ano e as taxas dos contratos futuros de juros com prazos mais longos a fecharem em alta.

O dólar comercial subiu 0,44% e alcançou R$ 2,28, maior nível desde 31 de março de 2009.

A escalada do dólar para esse nível, que chegou a ser negociado a R$ 2,284 na máxima intradia, disparou as ordens de zeragem de perdas ("stop loss"), o que fez com que a moeda americana ganhasse mais força no fim do pregão.

À véspera do fechamento da Ptax, utilizada para a liquidação dos contratos que vencem no fim do mês, cresce a pressão de alta da moeda americana, exercida principalmente por investidores institucionais e estrangeiros que mantêm as maiores posições líquidas compradas na moeda americana (aposta na alta do dólar) no mercado futuro. Os investidores estrangeiros mantinham no dia 29 de julho uma posição líquida comprada em dólar no mercado futuro de US$ 10,268 bilhões, um aumento de 6,35% em relação à última semana. Já a posição dos institucionais comprada em dólar cresceu 2,48% em relação à última semana, somando US$ 17,941 bilhões.

Embora a expectativa seja de um discurso mais cauteloso do Fed na condução da retirada dos estímulos monetários, sobressaiu-se ontem a postura defensiva dos investidores, buscando reduzir a posição em ativos de maior risco, o que sustentou a valorização da moeda americana no mercado internacional. Isso também se refletiu no rendimento do título de dez anos do Tesouro americano, que fechou em 2,602%, acima do fechamento anterior que foi de 2,589%.

Os contratos futuros de juros com vencimento mais longos, que refletem a percepção de risco, acompanharam esse movimento de alta. A taxa do contrato DI (Depósito Interfinanceiro) para 2017 fechou em 10,77% (ante 10,68% do pregão anterior). Já a taxa do contrato DI para 2015 encerrou em 9,59% (ante 9,48%), enquanto o DI para 2014 encerrou em 8,84% (ante 8,81%).

O aumentos dos prêmios nos últimos quatro pregões, no entanto, não pode ser interpretado como uma migração da aposta de aumento de 0,25 ponto percentual para 0,50 ponto da taxa Selic na reunião do Banco Central em outubro, o que levaria a taxa básica de juros para 9,50% no fim do ciclo de aperto monetário, uma vez que há muita volatilidade no mercado.

O resultado do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) mostrou uma desaceleração da alta verificada em junho, e apresentou aumento de 0,26% em julho, contra 0,75% no mês anterior.

A escalada do dólar, no entanto, ainda traz preocupação em relação ao impacto para a inflação.

Com a alta da moeda americana em julho, que acumula valorização de 2,15% no período, o Banco Central registrava uma perda contábil de R$ 380 milhões no mês, até o dia 19, com os ajustes das posições em contratos de swap cambial (que equivalem a uma venda de dólares no mercado futuro), que o BC tem utilizado para suavizar o movimento de valorização do dólar.

Esse resultado ainda não impacta as reservas internacionais, uma vez que a autoridade monetária vem rolando os contratos, tendo realizado o último resgate em fevereiro de 2013, de R$ 3,7 bilhões. "O BC vem tentando ganhar tempo para o ajuste dessas posições voltar a ficar positivo, mas o cenário não deve mudar no curto prazo", diz Luiz Eduardo Portella, sócio e gestor da Modal Asset. O executivo prevê que o dólar poderá alcançar a taxa de R$ 2,50 no curto prazo, devendo encerrar o ano em R$ 2,35.

Fonte: Valor Econômico



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