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Estímulos à indústria

O governo federal baixou mais uma série de medidas pontuais de estímulos à indústria, ainda travada no seu esforço para superar as dificuldades existentes desde o ano passado. A redução dos juros bancários, a elevação do dólar e outras intervenções no mercado exportador não foram capazes de modificar o quadro de crise conjuntural persistente.

A saída foi a repetição do remédio aplicado, nos últimos tempos, reduzindo os custos dos empréstimos financeiros e isentando do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a comercialização de automóveis, até agosto vindouro. No mercado financeiro, a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) foi igualmente cortada de 2,5% para 1,5% sobre os empréstimos para pessoa física.

Em paralelo, circular do Banco Central liberou R$ 18 bilhões em compulsórios bancários sobre recursos a prazo. Este volume de crédito será utilizado pelas instituições financeiras para a concessão de financiamento de automóveis e veículos comerciais leves. As mudanças nas regras do recolhimento do compulsório já estão em vigor, permitindo incrementar as linhas de empréstimos. O novo conjunto de medidas, que objetivam reverter os sinais visíveis de crise no mercado interno, decorreu do ritmo lento da economia nos primeiros três meses do ano. A economia brasileira cresceu apenas 0,15% no primeiro trimestre ante igual período do ano passado. Essa marcha lenta decorreu do marasmo identificado de modo especial no segmento da indústria, o mais afetado desde 2011.

No centro das discussões prevalece a projeção do crescimento econômico durante o ano em curso. A meta inicial do Ministério do Planejamento, de um resultado de 4,5%, não resiste às análises de segmentos das finanças públicas encarregados de acompanhar seu desempenho. Entre os órgãos governamentais, as previsões oscilam entre 3,5% e até 2,7%, uma repetição dos resultados de 2011.

As primeiras reações do governo para reverter as dificuldades das plantas industriais, incluindo a desoneração da folha de pagamento de setores produtivos fortes, a redução de tributos e a queda da taxa básica dos juros não possibilitaram a reação imediata esperada. Faltava o essencial: a mudança no câmbio para impulsionar as exportações.

Agora, surgem outros obstáculos gerados pela mão de obra, em crescente evolução de custos, e os insumos indispensáveis ao processo produtivo. Pelo menos, o mercado de trabalho encontra-se aquecido, o consumo é cada vez mais estimulado e as condições de financiamento facilitadas. A cotação do dólar em patamar superior a R$ 2,00 eleva a competitividade dos produtos, sinalizando a recuperação das vendas para o exterior.

O crédito bancário, pelo visto, parece não ter mais volta. A redução das taxas de juros, a partir da indução proporcionada pelos bancos públicos, vem pressionando a rede privada a seguir a receita, embora os supostos ganhos perdidos sejam recuperados pela majoração das tarifas dos serviços dos bancos.

Mas agora a clientela tem a opção de escolher pelo menor custo operacional, ao contrário do ambiente imposto por longo tempo, onde não se falava em redução. A Selic já está sendo antevista em 8% para os próximos dias. Aos poucos, o sistema financeiro nacional está se adaptando à nova realidade, onde prevalece a competitividade entre as instituições.

A crise financeira internacional recrudesce, especialmente na Europa. Aqui, a tranquilidade é amparada em reservas internacionais de US$ 370 bilhões. Fartura como esta nunca houve entre nós.

Fonte: Diário do Nordeste



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