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Indústria deverá avançar neste ano, mas com cautela

Depois de um ano considerado difícil, a indústria brasileira projeta que, aos poucos, retomará o fôlego. Pelo menos é o que avaliam empresários do setor, que estão mais confiantes em relação à recuperação da produção no primeiro semestre de 2013.

Após um resultado de quase estagnação, de 0,3%, em 2012, a expectativa de expansão do setor no Rio Grande do Sul é de 2,7%, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Heitor José Müller.

Para o dirigente, o que deve impulsionar o aumento na produção é a safra de grãos, que serve de matéria-prima para diversos segmentos, e a diminuição de medidas protecionistas da Argentina, uma das principais parceiras comerciais da economia gaúcha.

Economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo de Ávila avalia que o otimismo do empresariado é natural no começo de ano, mas a expansão da indústria ainda precisa ser encarada com cautela.

– Será uma retomada lenta e moderada. Estimamos um crescimento em torno de 3%. Vamos tentar retomar o que perdemos no ano passado – afirma.

Segundo Emerson Marçal, professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), ainda é cedo para definir qual área se sairá melhor este ano. Mas a criação de empregos no setor de máquinas e equipamentos mostra que o segmento começa a se mover de maneira positiva. Das 10 mil vagas criadas pelo setor em janeiro no país, por exemplo, 2.080 foram desse setor.

Expansão da GM eleva a confiança de empresários
No Rio Grande do Sul, o anúncio do terceiro turno de trabalho e a abertura de mais 2.450 vagas na fábrica da General Motors (GM) em Gravataí também contribuem para o sentimento de confiança do empresariado.

– Mesmo que os maiores fornecedores da GM não estejam no Estado, a ampliação dos turnos de trabalho tem impacto positivo para toda a cadeia produtiva – ressalta Müller.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico do Estado (Sinmetal), Gilberto Petry, a expectativa é que o segmento cresça de 4% a 5% este ano. Dono da Weco, fábrica de equipamentos termomecânicos, Petry estima aumento de 20% no faturamento da empresa.

– Vendemos mais, mas lucramos menos. Os custos trabalhistas e a carga tributária continuam muito altos – pondera.

Levantamento divulgado pela Fiergs na semana passada constata que 43,4% dos empresários apostam na expansão da demanda neste ano. No país, pesquisa da FGV aponta que o índice de confiança da indústria avançou 0,1% em janeiro, para 106,5 pontos, acima da média histórica de 104,8 pontos pelo quinto mês seguido.

Com ajuda de energia mais barata
A redução das tarifas de energia elétrica contribui para a retomada da produção em 2013. O desconto será de até 32% para indústrias.

– O impacto varia conforme cada setor, mas com certeza vai ajudar no aumento de competitividade – afirma Müller.

Professor da FGV-SP, Marçal avalia que a redução pode ser determinante para que alguns segmentos tenham um bom desempenho este ano. Entre eles, o economista cita o setor de alumínio, que costuma ter um gasto expressivo com energia.

– A alta carga tributária e a péssima infraestrutura do país continuam sendo pontos importantes, mas que não se resolvem de um ano para outro – ressalta Marçal.

Ávila, economista da CNI, destaca o fato de que o rendimento dos trabalhadores cresce em ritmo mais acelerado do que o faturamento da indústria. Em 2012, o ganho das empresas aumentou 2,4%, enquanto a massa salarial cresceu 5,1%.

– Esse cenário provavelmente se repetirá em 2013, e isso é preocupante. Corrói a margem de lucro e, no longo prazo, compromete os investimentos. O ideal é que os dois avancem na mesma intensidade – afirma.

Ávila explica que no ramo de vestuário essa diferença pode ficar ainda maior. Segundo o economista da CNI, é um setor que, apesar do faturamento alto, sofre com a concorrência chinesa e tem suas margens de lucro cada vez mais apertadas.

Fonte: CNI, IBGE e Fiergs



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