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Indústria naval busca metas específicas de conteúdo local

O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), além de ter resgatado a indústria naval e offshore brasileira nestes últimos anos, vem se debruçando em formatar estratégias que realmente viabilizem um verdadeiro parque industrial brasileiro, criando assim a tão empenhada competitividade mundial.

Dentro disso, já desenvolveu vários estudos que inclusive, vem servindo de base para o setor em decisões a nível nacional, agora, depois de meses de reuniões , pesquisa, estudo, fórum, o Sinaval trabalha para que o Brasil tenha um grande parque de fornecedores de conteúdo local, que façam frente a tecnologia e inovação do segmento no mundo.

Hoje, de olho na demanda do pré-sal, de acordo com o vice-presidente do Sinaval, Franco Papini, que em entrevista coletiva à imprensa adiantou que já receberam mais de 20 delegações estrangeiras interessadas em fornecer tanto para a Petrobras como para outras petroleiras no País.

Para fomentar o segmento, “é importante que a Petrobras crie metas específicas de conteúdo local para incentivar a cadeia de fornecedores brasileiros a suprir os atuais gargalos e atrair a vinda de novos fabricantes para o Brasil”, lembra Papini.

Segundo Papini, já existem várias empresas estudando ampliações para serem fornecedoras do setor naval e offshore, pois sabem que hoje a Petrobras tem uma forte presença internacional como na África e Golfo do México, então, consequentemente, aptas fornecedoras no Brasil poderão estar na lista internacional de fornecimento da Companhia.

Entre elas estão o Grupo ABB, Rolls-Royce, Pellegrini, Raytheon, Dahiatsu, ThyssenKrupp CSA, Wärtsilä.

“Existe uma grande demanda nacional que antes eram importadas e agora ganharam fabricação interna, como os geradores, bombas e propulsores, os motores de geração elétrica, cabos elétricos, painéis, mas outros como hélices, aços e ligas especiais ainda são grandes desafios para o segmento no que tange conteúdo local”, comenta o executivo .

E o Sinanal está empenhado em aumentar a participação dos fornecedores locais em motores para geração de energia elétrica e sistemas de bombeamento de grande porte [ componentes como eixo principal, eixo de manivelas, entre outros]. Mesmo que estes motores chegassem desmontados para montagem no país, o conteúdo local pode atingir de 50% a 60% de conteúdo local de três a quatro anos.

“O mesmo pode acontecer com as bombas, principalmente as de maior porte para carga e lastro, onde a parceria com fabricantes internacionais ampliaria muito o conteúdo local”, frisa Papini.

A Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) fazem parte de discussões setoriais, que serão encaminhadas à Petrobras e ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

O Sinaval, a entidade está encarregada de estabelecer uma estratégia de contratação que viabilize a instalação de empresas estrangeiras no Brasil para itens ainda não fabricados no País.

E contando sempre com o apoio da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP) e o Prominp.

Hoje o segmento já atingiu 70% de conteúdo local para os navios petroleiros do Promef 1 e 2, os navios de apoio alcançaram 61% em média e as plataformas tipo FPSOs chegou aos 63%.

Sendo que a participação nos fornecimentos locais no valor total de navios e plataformas já atingiram em média 64% nos três grupos.

O desafio é atrair empresas estrangeiras para suprir as demandas do segmento com conteúdo local.

Franco Papini lembra que o Brasil hoje tem toda uma infraestrutura para ser resolvida, e no bojo se encontra não somente o pré-sal, com a cabotagem e uma grande defasagem de embarcações na Marinha Mercante, portanto, somos a maior demanda mundial com necessidades reais de fornecedores de equipamentos e de sistemas de alta tecnologia e inovação.

Papini observa que a Petrobras possui hoje uma cota de 65% em média de conteúdo local para suas encomendas de plataformas e sondas, mas não há exigência de nacionalização para navios petroleiros e de apoio.

Confiante em mais esta empreitada do Sinaval, comentou que em reunião com a presidente da Petrobras Maria das Graças Foster, logo após sua posse, falou da prioridade para com os fornecedores locais em detrimento de fabricantes estrangeiros que, lógico, ofereçam melhor custo-benefício, dizendo que política de conteúdo local "não é nacionalista" , mas afirmou que a empresa passará por uma curva de aprendizado até conseguir implantar os coeficientes necessários de nacionalização.

“O programa de conteúdo local é um dos principais gargalos que impedem a Companhia de atingir as suas próprias metas de expansão da produção de petróleo”, dizem especialistas do segmento.

Para incrementar a cadeia de fornecedores, também são estudadas formas de estímulo através de descontos em taxas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que repassa os recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM).

Fonte: Portal Fator Brasil



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