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Indústria sobe 1,5% em agosto, maior avanço em 15 meses

A produção industrial brasileira subiu 1,5 por cento em agosto frente a julho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. Trata-se do melhor resultado desde maio de 2011, quando a expansão ficou em 1,6 por cento, apesar de ter vindo abaixo do esperado pelo mercado.

Na comparação com agosto de 2011, a produção diminuiu 2,0 por cento.

"O entendimento é que, em agosto, a indústria engrena e pisa no acelerador. Há uma melhora de ritmo e uma expansão disseminada, algo que não se via há algum tempo", disse a jornalistas o economista do IBGE André Macedo.

Analistas entendem que os fortes estímulos dados pelo governo explicam os resultados de agora, mas eles ainda veem que a recuperação vai se dar de forma gradual. Além disso, há expectativas de que o Banco Central vai interromper agora o processo de redução da Selic.

"Nós esperamos que o setor industrial mostre uma modesta recuperação nos próximos meses, ajudado pelos estímulos fiscais", informou a equipe de economistas do Goldman Sachs, por meio de nota, acrescentando que a atividade deve continuar mostrando resultados piores do que outras, particularmente a de serviços.

De acordo com pesquisa da Reuters junto a 19 analistas, a expectativa era de que a produção industrial subiria 2,0 por cento em agosto ante julho. As estimativas variaram de 1,50 a 3,40 por cento. Na comparação anual, a expectativa era de queda de 1,5 por cento.

O IBGE, por outro lado, melhorou o resultado de julho, passando de uma alta de 0,3 por cento sobre junho, para 0,50 por cento agora.

A indústria brasileira tem sido o calcanhar de Aquiles para o crescimento econômico neste ano que, segundo avaliações do governo e do mercado, vai ser retomado neste segundo semestre, após ter sofrido com a crise internacional.

AUTOS EM DESTAQUE
Em agosto, 20 das 27 atividades pesquisadas apresentaram crescimento, segundo o IBGE, mostrando que o movimento foi mais generalizado. O setor automotivo, que recebeu fortes incentivos fiscais do governo nos últimos meses, novamente foi o destaque, com alta de 3,3 por cento sobre julho. Nos últimos três meses, a expansão neste setor acumula 9,3 por cento.

"Podemos dizer claramente que muito da recuperação da indústria nos últimos 3 meses se deve aos incentivos dados pelo governo com a redução de IPI", frisou Macedo, do IBGE, referindo-se às quedas nas alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para alguns segmentos.

Em setembro, no entanto, as vendas de automóveis recuaram 31,4 por cento sobre agosto, informou a associação de concessionários, Fenabrave, na segunda-feira, mostrando que o setor pode estar perdendo fôlego.

O ganho acumulado da indústria brasileira nos últimos 3 meses foi de 2,3 por cento, sendo que no segmento de bens duráveis --que reúne produção de carros, linha branca e mobiliário, atividades que receberam incentivos fiscais-- foi de 9,4 por cento.

Segundo o IBGE, também mostraram crescimento importante em agosto o setor de alimentos (2,1 por cento), fumo (35 por cento), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (5,9 por cento), entre outros.

CONTRAÇÕES
Na ponta oposta, o setor de máquinas e equipamentos mostrou contração de 2,6 por cento em agosto, eliminando parte da expansão de 5,0 por cento acumulada entre março e julho.

A produção de bens de capital, apesar de ter crescido 0,3 por cento sobre julho, apresentou queda de 13 por cento na comparação com um ano antes, segundo o IBGE, mostrando ainda falta de tração na atividade voltada a investimentos.

"Essa queda de bens de capital serve de alerta. Diminui a qualidade da recuperação desse segmento na margem", afirmou Macedo.

Na semana passada, o Índice de Confiança da Indústria (ICI), da Fundação Getúlio Vargas apontou uma retomada da atividade industrial nos próximos meses, ao avançar 0,9 por cento em setembro em relação a agosto.

A divulgação do IBGE é a segunda nesta semana que aponta uma tendência de melhora no setor industrial brasileiro.

A pesquisa Índice de Gerentes de Compras de Produção Industrial (PMI), divulgada na segunda-feira, mostrou que a produção do setor registrou em setembro o primeiro aumento após cinco meses de queda, desacelerando o ritmo de contração.

O bom desempenho de agosto, para o estrategista-chefe do WestLB, Luciano Rostagno, deve fazer o BC manter a Selic na atual mínima histórica de 7,50 por cento na próxima semana, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente. Ele lembra que o ciclo de inflação baixa chegou ao fim e que os índices de preços mostram elevação por causa das commodities.

"Está em curso uma recuperação e a inflação se mantém persistentemente acima da meta (de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos). Seria mais prudente o BC manter os juros pelo máximo tempo possível", comentou ele.

No mercado futuro de juros, no entanto, o dado ampliou um pouco as apostas em um corte da Selic na próxima reunião.

Desde agosto de 2011, o BC já reduziu a Selic em 5 pontos percentuais, num movimento para ajudar na recuperação da atividade econômica.

Para o professor da economia da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Gomes de Almeida, o desempenho da produção industrial em agosto é representativo e indica a retomada da atividade.

Segundo ele, está havendo recomposição de estoques, mas ainda projeta que a produção industrial recuará 2 por cento neste ano por causa dos resultados do primeiro semestre.

Fonte: Reuters, escrita por Rodrigo Viga Gaier e reportagem adicional de Diogo Ferreira Gomes no Rio de Janeiro e Luciana Otoni em Brasília



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