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Indústria vai se recuperar no primeiro trimestre, aponta FGV

Os empresários da indústria não iniciaram suas atividades em 2013 mais otimistas do que no ano passado. As perspectivas quanto à produção, porém, se mantiveram positivas ao mesmo nível de dezembro. De acordo com o ICI (Índice de Confiança da Indústria), o indicador passou de 106,4 para 106,5 pontos, o maior nível desde junho de 2011, quando foram registrados 107,1 pontos.

Apesar da estabilidade, o Nuci (Nível de Utilização da Capacidade Instalada), que indica crescimento ou diminuição da produção, passou em janeiro de 84,1% a 84,4% - este é o maior percentual desde fevereiro de 2011.

Segundo o superintendente adjunto de ciclos econômicos do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da FGV (Fundação Getulio Vargas), Aloisio Campelo, o dado é positivo porque Nuci é sintomático, e antecipa o que está por vir. Desde março de 2011, por exemplo, ele começou a cair e a partir do segundo trimestre as fabricantes passaram a sentir dificuldades. "O câmbio e a competição internacional não ajudaram as indústrias", diz.

O dólar permaneceu, durante todo o ano de 2011, entre R$ 1,60 e R$ 1,80 e, somente a partir de maio de 2012, ultrapassou a barreira dos R$ 2, chegando a R$ 2,10. O cenário favoreceu a entrada maciça de itens importados e encareceu o produto brasileiro lá fora. A economia desaqueceu e muitos trabalhadores foram demitidos. Somente no Grande ABC, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), a indústria eliminou 6.937 postos de trabalho em 2012 - pior desempenho desde 2009, quando o setor dispensou 9.661 pessoas.

Para Campelo, portanto, o crescimento do Nuci é indício de que o primeiro trimestre pode apresentar melhora. "É um avanço interessante, embora as previsões estejam moderadamente otimistas", afirma. "Os setores de bens de capital e construção civil estão se recuperando. Para eles, o pior já teria passado, embora ainda faltem investimentos." Ele lembra também que a China acelerou a demanda por alguns produtos, o que deve favorecer os produtores de commodities (matérias-primas).

Para o terceiro diretor financeiro do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Shotoku Yamamoto, a redução na conta de luz, que pode chegar a 32% para as indústrias, deve contribuir a reduzir o custo de produção.

Setor metalmecânico ainda enfrenta dificuldades
Apesar dos indícios de aumento no uso da capacidade instalada nas indústrias, o segmento metalmecânico, porém, fortemente presente na região, ainda não demonstra recuperação, principalmente por conta da retirada gradual do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a compra de carro zero-quilômetro, cita o superintendente adjunto de ciclos econômicos do Ibre/FGV, Aloisio Campelo.

Mesmo enquanto o desconto permaneceu integral, de maio a dezembro, fabricantes de autopeças e componentes não notaram expressivo crescimento nas encomendas porque boa parte do que foi vendido já estava pronta e guardada nas montadoras - o estoque no início de 2012 era de 40 dias, o dobro de hoje, conforme a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Na avaliação do terceiro diretor financeiro do Ciesp, Shotoku Yamamoto, pelo fato de o desempenho da indústria metalmecânica ser altamente dependente da valorização do dólar, as perspectivas não são das melhores, ainda mais porque ontem a moeda norte-americana caiu para R$ 1,98, o menor valor desde julho (leia mais na página 6). O ideal para barrar a entrada de importados é R$ 2,30 e, para melhorar as exportações, R$ 2,50. "Não estou otimista. Enquanto perdurar essa política cambial equivocada, em que o governo utiliza o dólar para segurar a inflação, a situação não vai mudar. O governo tem medo de aumentar os preços dos importados, como a gasolina."

DEZEMBRO - Dados de dezembro, divulgados ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), apontaram que, mesmo o mês sendo tradicionalmente fraco para o setor, este foi o pior desde 2008, o que não indica trajetória de recuperação sólida. "A demora no ajuste dos estoques contribuiu negativamente sobre as condições financeiras das empresas e dificultou a recuperação da atividade. O setor registra impactos negativos em sua lucratividade e dificuldade de acesso ao crédito", avalia a pesquisa Sondagem Industrial.

Fonte: Diário do Grande ABC, escrita por Soraia Abreu Pedrozo



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