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Investimentos de um trilhão até 2030

                        Um trilhão de reais até 2030. Esse é o valor estimado para ajustar a infraestrutura nacional de transportes a níveis mínimos encontrados em países de potência e de dimensões continentais, como Rússia, Canadá e Austrália. A conta, que sugere uma maior participação do setor privado nos investimentos de infraestrutura frente ao esgotamento de recursos do governo foi feita em um estudo coordenado pelo professor Claudio Tavares de Alencar, do núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), em coautoria com o professor João da Rocha Lima Júnior, do mesmo Núcleo, e o mestrando Flávio Abdalla Lage.

                        Os resultados do trabalho serão divulgados durante a 14ª Conferência Internacional da Sociedade Latino Americana de Estudos Imobiliários (LARES), que será realizada no Rio de Janeiro, de 17 a 20 de setembro. Trata-se do maior evento do setor imobiliário do País que terá a apresentação de cerca de 60 pesquisas inéditas, além de debates sobre o impacto da retração da economia no setor, a evolução dos preços nos principais mercados residenciais do País, entre outros assuntos.
 
                         Um dos fatores mais importantes para se definir a pujança econômica de um país de dimensões continentais como o Brasil são as condições oferecidas para se mover grandes quantidades de cargas de um lugar para o outro usando rodovias, ferrovias, hidrovias e rotas aéreas. Carros produzidos no sudeste, por exemplo, precisam ser transportados para outras regiões do país, eletrônicos manufaturados na Zona Franca de Manaus devem ser enviados de norte a sul. Produtos de exportação precisam encontrar a via mais rápida e barata entre as manufaturas até os portos, de modo que o frete não tenha impacto negativo na competitividade dos preços lá fora.

                        De acordo com o trabalho, as melhores opções em termos de custo e eficiência para transporte de grandes cargas são os trens e navios. Países de grandes proporções geográficas, como é o caso da Rússia e do Canadá, priorizaram esses dois sistemas. E o Brasil? "Ainda depende dos caminhões, a alternativa mais ineficiente", diz Lage.

                        O estudo da USP aponta que além de depender da pior alternativa, o Brasil possui apenas 14% de suas rodovias pavimentadas, o menor índice dentre os países usados como base na pesquisa -- que inclui os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), além dos Estados Unidos, Canadá e Austrália. O segundo país com a média mais baixa de estradas asfaltadas é a Austrália, mas o valor é três vezes superior ao do Brasil. De acordo com Lage, apesar do baixo índice de rodovias pavimentadas, o País não precisaria priorizar seus investimentos na construção de mais estradas.

                        "Possuímos uma quantidade razoável de rodovias em relação aos países estudados", diz. "Precisamos adequá-las e pavimentá-las". Além de adequar as rodovias, o Brasil precisa construir mais ferrovias e hidrovias. Seria necessário gastar um trilhão de reais para começar a por ordem na casa. "Levamos em consideração a capacidade de investimento do governo e do setor privado, junto com o que acreditamos ser um tempo razoável de execução, tendo em vista o histórico brasileiro", diz o engenheiro.

                        Lage sugere que o Brasil terá de superar três grandes problemas para melhorar sua infraestrutura de transportes. O caminho, aponta o estudo, está na maior participação do setor privado. "O governo dá sinais claros de que não possui condições, sozinho, de resolver os problemas da infraestrutura de transportes no Brasil", diz. "Dependemos do transporte rodoviário, temos um modelo de contra tação problemático e não possuímos um mercado de crédito que atraia o investidor", explica. "A nossa proposta é criar condições para uma maior participação do setor privado, que possui recursos e capital humano para ajudar a resolver os problemas que temos."

                        O primeiro grande problema a ser superado seria a dependência do meio de transporte rodoviário. "É o meio mais caro se comparado aos outros, o que não faz sentido para um país que precisa transportar grandes quantidades de cargas", diz Lage. A pesquisa aponta possíveis caminhos para depender menos dos caminhões. Um deles é dobrar a quantidade de ferrovias nos próximos 16 anos. "Dependerá da forma como o governo e os empresários negociarão responsabilidades das partes num mercado que ainda não existe, mas é algo factível", diz Lage.

                        O segundo problema levantado pela pesquisa da USP é a forma co mo o governo brasileiro se relaciona com grandes empreendimentos. "O modelo de contratação praticado no Brasil faz com que o governo contrate a execução de obras, mas acabe dependendo de outros mecanismos para realizar sua manutenção", diz Lage. "A consequência é que o governo vai aumentando a quantidade de contratos de manutenção para administrar, sem aumentar a sua capacidade técnica e de fiscalização", diz. "É preciso que o governo estabeleça critérios mínimos de qualidade e de prestação de serviço para que as empresas contratadas também fiquem responsável pela manutenção da obra", argumenta. "O governo não tem condições de desenvolver-se e investir em infraestrutura de transportes na mesma velocidade de que a economia necessita."

                        O terceiro problema tem a ver com dinheiro. Na análise de Lage, o Brasil possui recursos para investir em infraestrutura de transportes, mas esse ônus não pode ficar na só conta do governo, que já mostra sinais de esgotamento. De acordo com a pesquisa, o Brasil não possui um mercado de crédito privado ou de capitais suficientemente maduro para fornecer financiamento ao setor.

                        "De um lado, os investidores privados têm o dinheiro para investir, mas não se sentem seguros em relação às condições criadas pelo governo para se investir em infraestrutura de transporte em longo prazo", diz. Na opinião dele o governo precisa agir para facilitar a criação desse mercado de crédito. "Contudo, o investidor privado não pode esperar tudo vir do governo, ele também precisa trabalhar com o setor público para se chegar a um meio de fazer o negócio ficar viável", avalia.
 

Fonte: Assesssoria de Imprensa



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