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Momento de queda em diversos setores da indústria nacional

A indústria brasileira está diminuindo. E é justamente o setor que cria empregos de qualidade e tem grande importância para geração de conhecimento, inovação e transferência de tecnologia.

A principal causa do declínio industrial, segundo empresários e economistas, é o mau ambiente de negócios no Brasil, diante do qual não vale a pena investir.

Máquinas paradas. Esse é o sinal de que quem deveria operá-las não está na fábrica. Antes, eram 150 funcionários. Agora, são 130 em uma empresa na Grande São Paulo que está trabalhando apenas por encomenda.

A fábrica, que fica em Guarulhos, fornece válvulas para setores como o petroquímico, químicos e de açúcar. Assim como em boa parte da indústria nacional, as válvulas da empresa ultimamente estão fechadas.

“Neste momento, eu não tenho perspectiva nenhuma. O meu planejamento na empresa é manter o que eu tenho, sem ter que investir ou demitir”, conta Pedro Lúcio, presidente da empresa.

Pelas válvulas da indústria, tem passado uma coleção de números ruins. A produção industrial medida pelo IBGE caiu quase 6% em 12 meses. O faturamento, as horas trabalhadas e a utilização da capacidade instalada também caíram, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria).

A balança comercial da indústria de transformação teve déficit recorde em 2013. E os principais indicadores de confiança do setor mostram, na verdade, pouca ou nenhuma confiança.

“O empresário não investe porque está de bom humor ou de mau humor. O empresário só investe quando as condições são favoráveis a esse investimento. Então, é através de fato, de dados, de análise, de projeções e de análise de sensibilidade que fazem o empresário investir ou não. E as condições para investimento no Brasil têm se deteriorado”, diz José Ricardo Roriz, diretor da Decontec/Fiesp (Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

As condições que o diretor da Fiesp fala são infraestrutura ruim e níveis muito elevados da carga tributária, da burocracia, dos encargos trabalhistas e dos juros. É o Custo Brasil.

O resultado é que a indústria, principalmente aquelas que usam matéria-prima para obter produtos novos, perde cada vez mais importância na economia. Ou seja, participação no PIB.

Para o professor da Fundação Getúlio Vargas, o setor produtivo está carente de um dos principais aliados: o governo.

“Nós precisamos urgentemente de uma revolução gerencial por parte do governo, eliminando obstáculos e se tornando parceiro, se tornando um lado da economia amigável ao resto da sociedade. Não como algo que controla, que proíbe e que restringe a atividade econômica”, aponta Evaldo Alves, professor da FGV.

Fonte: Jornal da Globo, produzida por Flávia Freire / Guilherme Fadanelli / Marcelo Rocha / Pedro Lins / Alysson Murayama



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