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Safra recorde no país estimula produção de etanol de milho

Rio de Janeiro. Comum nos Estados Unidos, o etanol de milho avança no Brasil. A prática ainda é pequena e restrita ao Mato Grosso, mas há pelo menos nove projetos pelo país para transformar o grão em combustível. A safra recorde do produto, a necessidade de ampliar o uso das usinas na entressafra da cana-de-açúcar e, principalmente, os altos custos de transporte do grão estão por trás dessa estratégia. Em alguns casos, levar o milho do Centro-Oeste aos portos do Sul e do Sudeste chega a custar quase o dobro do valor do produto. Hoje, a saca de 60 quilos no Mato Grosso vale R$ 13, mas o frete até Paranaguá (PR) sai por R$ 25.

A primeira usina a utilizar o milho para produzir etanol é a Usimat, localizada na cidade de Campos de Júlio, a 600 km ao noroeste de Cuiabá. Na safra 2012/2013, a usina, de forma experimental, processou 31 mil toneladas de milho, gerando cerca de 12 milhões de litros de combustível. Para o período 2013/2014, a previsão é de processar 100 mil toneladas do grão, o que resulta em 37 milhões de litros de etanol. Sérgio Barbieri, diretor da empresa, explica que isso só foi possível devido à tecnologia flex da usina, que funciona tanto com cana como com milho.


“O milho combina muito bem com a entressafra da cana, assim, a gente reduz o custo fixo da usina. Além disso, cada tonelada de milho gera 370 litros de etanol, 200 quilos de farelo, destinados à ração, e 20 litros de óleo de milho (com uso industrial e também de alimentação animal). Ou seja, complementam a produção do etanol, dando viabilidade à atividade”, afirma Barbieri, que vende 20% de seu etanol para São Paulo, ficando o restante no Mato Grosso e na Amazônia.

O etanol do milho é quimicamente idêntico ao da cana – os dois podem, inclusive, ser misturados. Barbieri afirma que a decisão de investir cerca de R$ 20 milhões na adaptação da usina foi acertada. Segundo ele, o uso do milho para combustível continuará vantajoso enquanto o preço da saca ficar entre R$ 10 e R$ 18.

Em breve, a Usimat deixará de ser um caso isolado. Outro produtor em São José do Rio Claro (MT) está fazendo a transformação tecnológica de sua usina. Na vizinha Nova Mutum, há um grande projeto, com recursos chineses. E, no Mato Grosso do Sul, quinto maior produtor de cana do país, há projetos para construção de sete usinas flex, segundo a Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul (Biosul).

Alysson Paolinelli, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), diz que o etanol de milho vai crescer no país. Segundo ele, isso ocorrerá pela necessidade de dar mais valor agregado ao grão, que, in natura, fica pouco competitivo devido à cara logística brasileira.

Paolinelli estima que a atual produção recorde de milho, de quase 80 milhões de toneladas, deve saltar para 150 milhões de toneladas em 2020. O grão é cultivado entre as safras da soja, como rodízio de cultura, e há a expectativa de aumento do consumo.

A Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis (ANP) informou que não tem dados sobre o uso do milho para geração de etanol.

Fonte: www.otempo.com.br



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