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Toyota busca 65% de nacionalização para motor brasileiro

Um ano e meio após anunciar investimento de R$ 1 bilhão para produzir motores no Brasil, a Toyota deu início oficial às obras da fábrica localizada no interior paulista, em Porto Feliz (SP), onde realizou cerimônia para marcar a data na sexta-feira (14), com a presença de executivos da empresa e autoridades, incluindo o governador de São Paulo, Geraldo Alkmin.
 
“Queremos atrair 19 fornecedores e temos o objetivo de nacionalizar cerca de 65% dos componentes aqui”, disse o americano Steve St. Angelo, que há cerca de um ano vive em São Paulo como CEO da Toyota na América Latina e Caribe, além de ocupar a presidência do conselho (chairman) da companhia no Brasil. Ele adiantou que bloco, cabeçote e virabrequim serão todos produzidos internamente. 
 
O novo empreendimento, que deve empregar 700 pessoas, surge como resposta direta à política industrial brasileira voltada ao setor automotivo, o Inovar-Auto, que induz à utilização de mais peças nacionais para obtenção de descontos tributários. Até a publicação do regime, a Toyota não havia demonstrado nenhuma intenção de fazer motores no Brasil, mas com a nova legislação precisou tomar medidas para aumentar a nacionalização da produção.
 
Após o lançamento do popular Etios, a Toyota praticamente dobrou seu volume industrial no País, para quase 130 mil carros fabricados em 2013 (incluindo também o Corolla). Com isso, também cresceram as importações de componentes e a empresa tornou-se a quarta maior importadora do País e primeira entre as montadoras no ano passado, com compras externas que somaram US$ 2,5 bilhões e geraram déficit comercial de US$ 1,7 bilhão. 
 
Por isso a fábrica de Porto Feliz deverá suprir integralmente as necessidades de produção no Brasil. “Poderemos flexibilizar nossa capacidade produtiva e reduzir a dependência de importações”, prevê St. Angelo. A partir de 2016, serão feitos lá os propulsores 1.3 e 1.5 para o Etios montado em Sorocaba (SP) e, pouco mais adiante, a motorização 1.8 e 2.0 do Corolla fabricado em Idaiatuba (SP). Por isso a planta fica a meio caminho das duas unidades, distante apenas 30 quilômetros de cada uma. No primeiro ano de operação a previsão é produzir 70 mil motores, o suficiente para atender o Etios. Mas gradualmente a capacidade poderá chegar ao teto de 200 mil motores/ano. 
 
Investimento três vezes maior
 
A Toyota gastará mais que o triplo das outras montadoras que recentemente também anunciaram investimentos em fábricas de motores no Brasil – como o aporte de R$ 350 milhões da General Motors na nova planta de Joinville (SC), inaugurada há cerca de um ano, onde pode produzir até 120 mil propulsores/ano, e os US$ 130 milhões da Chery para fazer o mesmo em Jacareí (SP) a partir de 2015. “Poderemos fazer 200 mil motores por ano e, se precisarmos aumentar a capacidade, será mais rápido e barato expandir”, justifica St. Angelo. “Também traremos para cá a nossa melhor tecnologia de produção, com ênfase na redução de consumo e emissões”, acrescenta. 
 
Para o executivo, com seus motores a Toyota está preparada para atender as metas de eficiência energética previstas pelo Inovar-Auto até 2017, de melhoria de no mínimo 12%, com benefícios tributários adicionais para quem superar os 15% e 18%. “Estamos prontos para esse desafio porque já é uma demanda mundial e vamos fazer o mesmo aqui.”
 
“Fazer motores aqui era um velho sonho”, disse Seiichi Sudo, vice-presidente executivo da Toyota Motor Corporation, em seu discurso durante a cerimônia em Porto Feliz. Ele lembrou que hoje a Toyota tem 50 fábricas fora do Japão e que a primeira delas foi inaugurada em 1958 justamente no Brasil, em São Bernardo do Campo (SP). “Sempre produzimos boa parte das peças, mas os motores vinham de fora.”
 
A nova unidade será a primeira fábrica de motores da empresa na América do Sul e a quarta planta industrial da Toyota no Brasil – ao lado de São Bernardo do Campo, que ainda produz peças e em breve voltará a ser a sede corporativa da companhia no País; Indaiatuba, onde desde 1998 é feito o Corolla; e Sorocaba, que em 2012 começou produzir a linha Etios.

Fonte: Por Pedro Kutney/ Automotive Business



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