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Uso da capacidade instalada da indústria brasileira sobe forte em janeiro

A utilização da capacidade instalada na indústria brasileira subiu em janeiro ante dezembro no nível mais rápido em quase três anos, em mais um sinal de recuperação do setor, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira.

O nível de utilização da capacidade instalada passou a 84,0 por cento em janeiro --maior nível desde janeiro de 2011, quando chegou ao mesmo patamar-- ante 82,9 por cento em dezembro do ano passado, segundo dados revisados e dessazonalizados.

Na avaliação da CNI, os dados mostram que o setor industrial começou a reagir, embora ainda seja necessário observar os próximos meses para mensurar a intensidade desta recuperação.

"Creio que há mais indícios, indícios mais claros, mais concretos, de que a atividade do setor industrial está numa trajetória de recuperação moderada, mas numa trajetória de recuperação nesses primeiros meses de 2013", afirmou o gerente-executivo, Flávio Castelo Branco.

No ano passado, a produção industrial brasileira encolheu 2,6 por cento, segundo dados do IBGE, em meio à crise internacional que reduziu a demanda por produtos brasileiros no exterior e acirrou a concorrência no mercado interno.

Para a CNI, a elevação do uso da capacidade pode levar a retomada dos investimentos industriais.

"Caso esse indicador se mantenha nesse patamar, então isso é um bom sinal de que os investimentos podem voltar na indústria de transformação", disse a jornalistas o economista da CNI Marcelo Ávila.

A alta de 1,1 ponto percentual é a maior verificada desde março de 2010, quando a utilização na indústria subiu 1,3 ponto percentual, e a segunda maior variação da série histórica indiciada em 2003.

Por outro lado, a CNI informou também que em janeiro o faturamento real dessazonalizado da indústria caiu 4,2 por cento frente a dezembro, considerada por Ávila uma queda "muito significativa".

O dado reverte uma tendência de crescimento verificada nos últimos meses, mas não deve ser considerado necessariamente ruim, segundo Castelo Branco, pois pode ter sido afetado pelos níveis de estoque na indústria, atualmente mais baixos.

As horas trabalhadas, considerado um sinalizador do nível de atividade na indústria, subiram 0,8 por cento em janeiro frente a dezembro, maior alta dos últimos cinco meses. Já o emprego industrial registrou queda de 0,4 por cento sobre igual período do ano passado.

Os resultados da CNI estão em linha com os dados da produção industrial brasileira, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostraram avanço de 2,5 por cento em janeiro, ritmo mais alto em quase três anos, puxado pela produção de caminhões.

O governo adotou uma série de medidas de estímulos à economia no ano passado, desde desonerações fiscais para consumo e produção até a queda da taxa básica de juros Selic para a mínima histórica de 7,25 por cento ao ano.

O gerente-executivo da CNI acredita que os efeitos dessas desonerações, que devem ser estendidas a mais setores, e as medidas do governo para reduzir o custo de produção --como a recente redução das tarifas de energia-- devem ser percebidos nos próximos meses.

Uma das maiores preocupações do governo neste momento é estimular os investimentos que, no ano passado, recuaram 4 por cento. No final de 2012, no entanto, houve sinais de recuperação, mas ainda num estágio inicial para se falar em retomada.

Fonte: Reuters, escrita por Maria Carolina Marcello; Edição de Raquel Stenzel



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